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30 de dezembro de 2008

O Poder da Beleza

O PODER DA BELEZA



Mal te vi fiquei com os olhos pregados em ti, pairei e de repente deu-me uma vontade louca de poder mergulhar nessa lagoa e poder ir pousar a cabeça junto de ti, para descansar desta vida desconchavada
Boiar ao teu lado envolvida pelas tuas folhas, brincar, enrodilhar-me nelas e, ouvir-te contar murmurando baixinho, os segredos que tens guardados
Saber que as tuas pétalas, tão cheias de sol, me iriam afagar a cabeça, durante o tempo que se desenrolasse a história que me continuarias a murmurar, nessa linguagem de flor que só alguns têm o dom de conhecer
Aprender a reflectir-me como tu nenúfar de amarelo vestido, que lutaste com garra para vires do fundo dessas águas paradas, florir, para nos encantares, sem nunca perderes a serenidade e que espriguiçando-te, pintalgas o lago com laivos da tua cor, sem nos deixar ver as marcas dessa luta
E fiquei a admirar sorrindo, esse quadro de exuberante cor e vida.
Deixei-me envolver nessa riqueza de tons, que só existe na Natureza e, que nos dá a medida exacta do que somos.
Então veio-me à memória agradecer, a quem tem a sorte de tão bem te saber olhar, para assim te poder captar.

Texto escrito por: Claras Manhãs
Blog: Claras manhãs
"Todos os direitos de autor reservados"

Desejo a todos os visitantes e amigos deste blog um ÓPTIMO 2009 e que todos os vossos desejos se tornem realidade no Ano Novo que se avizinha!

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15 de dezembro de 2008

À Partida da descoberta…

À partida da descoberta …

Pintei o meu pequeno mundo

Num mosaico imaginário


Feitos heróicos

Viagens

Descobertas


Lutas desiguais

Batalhas ensanguentadas

Num mural feito em pedra


Fito, atentamente, o desenho geométrico

Embarco na bússola do tempo

E fundo – me no emaranhar

Das ondas

No latejar dos trovões

Que, ininterruptamente,

Me arrastam para a tropelia de corpos

Semi – desnudos

Tentam, em vão,

As velas quinhentistas apaziguar


Por fim

Avisto, ao longe, terra …

O mar está sereno

Rumo face à aventura


Há uma panóplia de línguas

Por explorar

Culturas ancestrais por assimilar

A minha pátria

Neste pequeno mosaico

Representar


A sangue

Em tons de canela

Ouro

Seda

Marfim



Desperto deste sonhar acordado

Oiço ao longe a próxima excursão de turistas

Aproximar – se

Vêm à procura do conhecimento



Boa tarde

Eu sou o Joaquim

Serei o vosso guia


Esboço um sorriso rasgado

Ajeito, num ápice, a gola da camisa

Afinal há que ter orgulho em ser Português!


"Todos os direitos de autor reservados"



7 de dezembro de 2008

Pequeno Paraíso

Pequeno Paraíso


«Tu chamaste-me a um lugar fugidio onde a alma se aquieta e o tempo se perde. Entre o silêncio cúmplice dos nossos olhares, apenas o sussuro das águas. Uma pequena nascente brota por entre folhas, anunciando o renascer contínuo da natureza. Nesse invulgar recanto, ofereci-te um longo e reconfortante abraço. Essa sensação de proximidade, pertença e comunhão, misturada com o cheiro da terra molhada e a pequena brisa de ar fresco e outonal, fez do nosso abraço um momento único.O tempo passou e desse abraço, a lembrança. E agora vê como o tempo continua a fluir, tal como a água nascida daquele solo fértil. O nosso momento fugaz e tão belo tornou aquele lugar, um jardim secreto, de emoção sentida e liberta. Nesse pequeno e ímpar paraíso, eu e tu lemos a mesma linguagem do desejo e partilhámos o mesmo sentimento.»

Por: Carla Sofia
Blog: Universos Questionáveis
"Todos os direitos de autor reservados"

26 de novembro de 2008

Espiral do tempo

Espiral do tempo

Curiosa...sempre tinha sentido essa comichão na ponta do nariz que a levava a ser um pouco indiscreta.

Não era por maldade, apenas gostava de saber o que se passava do outro lado do muro. Acreditava que um dia encontraria uma outra cor para o céu, num desses seus olhares fugidios.

Não que desgostasse desse azul que unia num abraço sem fim o céu e o mar, mas porque achava que sendo o mundo tão grande haveria por certo um outro tom para pintar o seu céu.

E assim trepava às árvores mais altas, espreitava por todos os buracos que encontrava, subia aos muros mais íngremes...mas apenas as tonalidades de azul variavam.

Cresceu com os dias que se tornaram anos e o seu sonho foi ficando adormecido naquele baú que guardava nas paredes escuras do sótão.

As cores murcharam com as estações que já não brincavam com ela, o mar afastou-se do céu e deixou de ser o seu confessor das horas melancólicas...perdeu-se na espiral do tempo que a afogou em compromissos e sorrisos apagados.

Cansou-se, cansada do esboço que tinha delineado para si...sentia-se igual, cópia das cópias que a confundiam e naquele dia tão igual a todos os outros encontrou um buraco como aqueles que lhe faziam brilhar o olhar na sua infância...parecia um óculo para um outro mundo!

…

-Não entressssssss

O eco invadiu todo o espaço. O grito soou aflito aos seus ouvidos, mas agora já era demasiado tarde.

O espaço era o seu e seu era também o corpo que se moldava numa panóplia infindável de sensações estranhas.

Lembrava-se perfeitamente do momento em que tinha decidido entrar naquele túnel que lhe pareceu sem fim.

Entre o desconhecido e a pálida certeza dos dias iguais apostou no risco da diferença.

Agora enquanto a descida se processava entre cambalhotas e suaves deslizes aquela voz seguia-o sem cessar!

Em melodias suaves mas persistentes convidava-a a regressar...a estar sem ser!

Mas ela sabia que voltar atrás era impensável tinha entrado numa espiral onde os círculos venciam, porque não tinham princípio nem fim.

Sempre tinha preferido os começos...como se os fins mais não fossem do que um vazio profundo de um tempo fora do tempo!

Já não tinha medo... afinal esse vazio não era tão escuro como pensava!

Na sua imaginação, na dança dos sentidos que não tinha perdido nessa fuga irreal conseguiu adivinhar um esboço de luz, como se de um pirilampo perdido num espaço sem tempo tivesse chegado até ela.

E aos poucos a luz feriu-lhe a visão, inebriou-o com um aroma desconhecido como um canto de sereia coberto de selvagens amoras de um rubro toque desconhecido.

Nas rugas daquele fim de tarde que pensou já ter vivido outrora descobriu que o Outono ainda não tinha chegado àquelas árvores que lhe serviram de paisagem de fundo para longas viagens num oceano onde as águas azuis se tinham tornado o seu caminho para a vida!

Por: Carla Marques
Blog: Palavras em desalinho
"Todos os direitos de autor reservados"

17 de novembro de 2008

eu quero!

eu quero!


eu quero o mundo! abrir os braços à vida que julgava perdida
quero palco, luzes, fama, aplausos e ribalta
quero amigos, conhecidos, companheiros, camaradas
eu quero o mundo! olhar em frente... vê-lo maior
quero abraços, vivas cores, amantes e amores
quero bichos, flores, ar puro e tudo mais que for
eu quero o mundo! desenhá-lo em plano... livre
quero limpar as ruas, vestir crianças nuas
quero aprender a colorir com as minhas mãos
eu quero o mundo! para to entregar em mão... ainda hoje... novo e esquecer o que ficou para trás!

Por: Luísa
Blog: Pin-Gente
"Todos os direitos de autor reservados"

29 de outubro de 2008

REDESCOBRIR O SAL

Este é o portfólio que enviei para o concurso "Novos Talentos FNAC 2008"; trata-se de um trabalho constituído por 25 fotografias sobre o Padrão dos Descobrimentos acompanhado de uma memória descritiva em prosa, trabalho realizado em conjunto com a M.

Este trabalho fará parte de um livro, a cargo da Editora Chiado, cuja previsão de lançamento será no 1º semestre do próximo ano, em breve darei mais informações sobre este assunto.

Portfólio

1. Uma janela, um passado

2. O olhar capta, a mente viaja

3. Por esse mar fora

4. Guiados pelo Infante

5. Partir é preciso

6. Heróis lendários

7. Madrinha enigmática de Portugal

8. Basta de Cruzes de madeira!

9. Padrões de pedra

10. Bartolomeu Dias


11. De trajes militares


12. Vasco, não largues o rumo!

13. Preparar o caminho

14. Seguir as estrelas

15. Amaram-se os céus, uniram-se os homens

16. Afonso, o de Albuquerque

17. Para onde queres que vá, Senhor?

18. Desejo de converter

19. Peregrinação

20. A pena do escritor
21. Décadas da Ásia

22. Cantando espalharei por toda a parte

23. A espada repousa na pedra

24. Conquistadores e conquistados

25. Redescobrir o sal

MEMÓRIA DESCRITIVA

REDESCOBRIR O SAL

Uma janela, um passado revisitado, recontado no verbo presente. Porque não? O olhar capta, a mente viaja. Que beleza pode existir em estátuas cinzentas para além dos pormenores do escultor? Empoleiradas no alto de um monumento não há ninguém que as chore. E a pedra encerra histórias tão imperecíveis como lendas que alastram pelos séculos. Tantas terão permanecido por contar…

Lusitanos de espírito aventureiro na audácia de transpor o imenso risco da expansão por esse mar fora, seguem na proa da Caravela guiados pelo Infante D. Henrique. Partir é preciso, partir e regressar de uma epopeia, palmilhar cantos inéditos, descobrir mundos novos com riquezas que as águas do mar separam de Portugal. Mal sonham que se tornarão heróis lendários.

A terra fica para trás, o porto é o areal estendido ao sol povoado de mulheres assistindo à partida das caravelas em pranto de lágrimas, desconhecendo o destino dos entes queridos no mar. O rosto da madrinha enigmática de Portugal que gerou os príncipes génios das Descobertas é o rosto das mães, das mulheres, das amadas em angústia que unem as mãos em oração pela protecção dos marinheiros.

- Basta de cruzes de madeira! - Diogo Cão navega pela costa de África com os padrões de pedra, a cruz no topo cravada no selo real marcará a presença portuguesa nas terras recém-descobertas. Entretanto, o rei chama o seu melhor escudeiro: Bartolomeu Dias tem de percorrer a costa africana traçando uma nova rota, a do tão sonhado Oriente. Com toda a coragem na veia, enfrenta mares furiosos e soberbos, converte as temidas Tormentas em Esperança num regresso em glória. No bolso, transporta a carta com uma rota traçada, afinal dois oceanos unem entre si a porta aberta para a Índia.

O mestre da Ordem de Santiago iria percorrer a rota triunfante. De trajes militares, Estêvão da Gama sonha comandar a armada para a Índia quando sente a inevitabilidade da doença e da morte: - Vasco! Não largues o rumo! - Pede o pai moribundo. Vasco da Gama aperta a espada na promessa de continuar o caminho marítimo aberto por Bartolomeu. Urge enviar emissários para preparar o caminho, recolher informações, experientes em técnicas de navegação e cosmógrafos que num olhar para o céu saibam seguir as estrelas.
Após um ano de viagem lutando contra forças de marés e tempestades desembarca no império do destino de corpo e alma. Um sonho não permanecera no ar, fora conquistado. Calaram-se as vozes dos mares intransponíveis, a tenacidade sobrepôs-se à tragédia. Amaram-se os céus, uniram-se os homens.
O império oriental português, reino das especiarias, fundeava-se sob o governo de um Afonso, o de Albuquerque – em Goa e Malaca encontram-se os pontos mais valiosos para o comércio, abramos as portas ao Oriente!

Paira um vazio nas terras conquistadas. Um sentimento de ausência. Os povos de religião estranha desconhecem a doutrina cristã. O Papa recebe o pedido de cedência de missionários para o Oriente.
- Há tanto para fazer. Para onde queres que vá, Senhor? – É a prece constante do jovem Francisco Xavier da Companhia dos Jesuítas. O vento ouve o apelo, embarcando-o destino a Goa. Nove anos de evangelização marcam a sua vida no meio dos nativos, desentranha mentes de infinita pluralidade aprendendo delas a língua, ensina grupos, etnias e culturas na sua diversidade. Um descobridor de povos. O breviário, o crucifixo e o espírito com imenso desejo de converter são as suas armas.

Um mercador aventureiro em expedição pelo Oriente desembarca junto aos portugueses. Fernão Mendes Pinto infiltra-se no meio dos Jesuítas e, tal peregrino, segue os passos de Francisco Xavier narrando o trabalho do jovem evangelizador na “Peregrinação” num estilo inconfundível, tão fantástico que leva a duvidar da sua veracidade. E algures, a pena do escritor João de Barros labuta com afinco desde as partidas às lágrimas, dos prantos nas caravelas aos gritos de triunfo nas chegadas. Gravadas a sangue e fogo nas sublimes “Décadas da Ásia”.

Um homem magro de rosto saliente caminha junto à armada de Pedro Alvares Cabral prestes a partir para o Oriente. Possuído do imenso desejo de embarcar, tornar-se pioneiro da grande aventura pelas rotas marítimas, toma a estrada para a belíssima obra dos Lusíadas cantando o peito ilustre lusitano numa sensibilidade própria, crua, sofrida e esperançosa adivinhando a glória dos navegadores. Camões encontra em Goa a inspiração para se tornar poeta da Humanidade: – cantando espalharei por toda a parte – é a expressão do sentir da alma retratando quase sem fôlego a epopeia dos lusitanos nas terras e nos mares.

E porque já não existem Índias por descobrir, a espada repousa na pedra, os guerreiros de outrora permanecem de olhos postos no horizonte eternamente conquistadores e conquistados numa História que resiste aos séculos.

Importa nem que seja numa réstia de sonho, chegar lá, aos lugares que contam, sentir na pele os mesmos salpicos de mar, mesclar os suores e os prantos e da esperança nascida, redescobrir o sal.



P.S. - A edição de 2008 do Prémio Novo Talento Fnac Fotografia recebeu 176 candidaturas.


Reunido durante os meses de Setembro e Outubro, o júri constituído por Fátima Marques Pereira (professora), António Pedro Ferreira (fotojornalista), António Júlio Duarte (fotógrafo, membro do colectivo kameraphoto), Sérgio B. Gomes (editor do Público Online e autor do Blog Arte Photographica) e Miguel von Hafe Pérez (crítico de arte e comissário de exposições), atribuiu o Prémio a Hugo Rodrigues Cunha, pela sua proposta UM PONTO EXACTO PARA VER.


Os portfólios “A & J” de José Carlos Duarte e “10 Retratos, 10 Esculturas” de Alexandre Delmar foram distinguidos com uma Menção Especial.


Como o meu trabalho não foi um dos premiados a Fnac deu-me autorização para o poder expor seja no blogue seja na edição do livro ou numa exposição que venha a fazer.

Texto Por: M.
"Todos os direitos de autor reservados"

23 de outubro de 2008

O menino, a viola e o sonho

O  menino, a viola e o sonho

O menino apressa o passo
Olha a rua, os muros grafitados
Mas seus pensamentos voam
Por onde caminha não sente o chão,
As pedras, a brisa morna da tarde.
O peso que carrega nas costas é leve
São algodões de sonhos e esperança
Sua vida dura é o peso que lhe faz suar
Todas as agruras, enxugadas pela viola
Pensa na mãe que com carinho o espera
Após um dia de intenso trabalho
Para que seu filho possa sonhar
Ele, a sua esperança e vida
Ela, a que o abençoa todos os dias
Para que possa fazer dos seus sonhos
Realidade, promessa de vida melhor.
A melodia o acompanha
Enquanto sonha, a caminho de casa,
Um mundo melhor.

Por: Desnuda
Blogue: SamDesnuda

"Todos os direitos de autor reservados"

Acerca de mim

A minha foto
Nasceu na maternidade Bensaúde na freguesia da Nossa Sr.ª de Fátima em Lisboa, no dia 9 de Abril de 1966. Vive presentemente em Mem Martins, concelho de Sintra, distrito de Lisboa. Fotógrafo por paixão, desde bem pequeno sempre admirou os trabalhos de outros fotógrafos mas só de há dois anos a esta parte se dedicou a esta bela arte. Amador e autodidacta, tem tentando aprender os segredos da fotografia; fez recentemente um curso de iniciação à fotografia e pretende fazer mais alguns. Tem ainda aprendido com outros fotógrafos, observando e lendo muito sobre o assunto. Sendo hoje um hobby, gostaria de um dia poder ir mais longe, quem sabe ligado profissionalmente a esta área, hoje é administrador de um site de fotografias nacional: www.fotogenico.net, venha inscrever-se é gratuito. Realizou algumas exposições de fotografia (“Sorrisos” e “Mar”), doando o seu trabalho em prol de um projecto de ajuda aos Mininos di Rua em Cabo Verde. Tem algumas galerias na Internet e um blog onde vai dando a conhecer o seu trabalho. Fotografias de maior interesse: Paisagens, macros, mundo animal, retratos, pôr e nascer de sol, arte digital, desporto e acção, fotografia ligada à nossa história.

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